AUDIVERIMUS em "Canon" - Sarabanda das Letras da NOVA ORDEM DA POESIA

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Depois daquela curva...

Depois da curva
o vento entregou a chave
O mistério esclarecido
depois da curva - o vento!

Depois do equinócio
nada mais será como conhecemos

Lá no alto,
Estrela brilha
O novo planeta Strella

Depois da curva do vento
Depois do mistério esclarecido
Depois do equinócio da primavera
Depois... bem lá no alto
O brilho de Strella

Depois do vento
vem a curva
e a chave
o equinócio
Strella
e nada mais será igual

Depois da curva...
o vento entregou a chave
O mistério esclarecido
depois daquela curva - estará o vento?

______________DHENOVA - AUDIVERIMUS

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

COMO UM RIO...


COMO UM RIO...

Eu ouvi teu riso
e senti no peito
o mesmo amor sem jeito
e quis o momento
sem fazer efeito
ter no coração vadio
preenchido o frio

Atendi teu aviso
movimento suspeito
disfarçado e rarefeito
o meu beijo sedento
prontamente aceito
fez esquecer o vazio
transbordando um rio.

Dhenova & Wasil Sacharuk
setembro 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

O Grilo e o Besouro

O GRILO E O BESOURO




Sou grilo
não besouro
sou do signo
de touro
e sou um bicho bacana
conheço outro bicho sacana
querendo o ouro
do qual não sou digno

Há grilos na sua cabeça?
Não entristeça
faça um eletroencéfalograma
e aconteça o que aconteça
não saia da cama




Sou besouro
não sou grilo
sou bicho ingrato
zunir é meu artifício
Conheço o grilo safado
barulhento no ato
gosto do ouro do tolo
mas não sou touro malhado

Há um besouro na sua cama?
Não se acanhe
Faça-lhe um carinho tímido
e se deixe levar pela grama
até o amanhecer digno

Wasil Sacharuk & Dhenova
agosto / 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Mensageiro da saudade - acróstico

Mensageiro da saudade - acróstico

Minha letra ficou torta
Emborquei mais um gole
Não enxerguei mais a borda
Sacolejaram meu corpo
Alguns soluços doidos
Gritei minha agonia
E pedi que a nostalgia
Inibisse o desespero
Reescrevi meu recado
O papel encharcado

Da tristeza poética
A mensagem hermética

Saudade vou sentir
A cor dos teus lábios
Um crime cometo ao coração
Devolvo tuas cartas de amor
Abraçado ao velho cobertor
Da dor no bilhete escrito
Encontrei por fim o alívio.

Dhenova e Wasil Sacharuk
julho 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

Não e sim

Não e sim

Foi a carne macia
toda a sina
Foi o perfume barato
todo o cuidado
Foi o hálito fresco
todo o veneno

Foi nesse universo
que aprendi a voar
em versos

Disse sim, disse não
fiquei louco
puro tesão

Foi como uma poesia
toda em rima
Foi o gesto abstrato
todo o embaraço
Foi no sentido sexto
todo o mistério

Foi no doce segredo
que tentei naufragar
sem medos

Disse não, disse sim
fiquei triste
lá é o fim.

Dhenova & Wasil Sacharuk

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Reincidente

 
No toque reincidente
No olhar penetrante
a malícia presente
a poesia convincente
de sentidos
nos ritos
dengosamente
carinhosamente
doloridos
entorpecidos
e pecado consciente
e o instante ardente
novamente
ardorosamente
incontido
acometido

Lavas desprendidas
labaredas avermelhadas
dos teus vulcões
da tua fogueira
cativas nas repetidas
pulsam nas retorcidas
erupções
chamas vivas

Dhenova & Wasil Sacharuk - maio/2009

Era uma vez três poetas...

Era uma vez três poetas...

Um poeta olhava para o céu
esperava o milagre
do acontecimento
do passado escalpelado
por um índio norteamericano
sioux ou, talvez, mexicano

Deixou duendes e as fadas
contorcidos em gargalhadas
...

o outro falava sobre a vida
sobre o movimento
sobre o tempo
com os pés do amor
pousados no firmamento
e jogou fora a dor
em lufadas de vento

Deixou todas as marcas
de corações, corpos e estacas
...

e o terceiro
olhava para o horizonte
e escrevia
no papel do destino
a ata da noite
célebre e contundente,
o poema sublime

Deixou a poesia
de bochechinhas vermelhas
Pretensioso... sim
porém, divino.

Dhenova e Wasil Sacharuk
agosto 2009

Elemento de coesão


Elemento de coesão

Pensei em esquecer o teu jeito
com meu desprezo
pensei em trocar o que tinha
as tuas manias...

Desafiei toda a rebeldia
com minha certeza
e rabisquei uma nova poesia
de pura aspereza

entretanto...

Decidi aquecer meu leito
com teu desejo
Decidi encontrar minha linha
com tua alquimia

Acreditei em toda ousadia
da tua beleza
Acreditei em nova poesia
de pura riqueza.

Dhenova & Wasil Sacharuk - julho/2009

domingo, 2 de agosto de 2009

"Paralelo" in Cromático Blues



Música e arranjo de Wasil Sacharuk
Gravado no PandoraBox 2009
mix e master de Sacharuk e PandoraBox
vídeo de PandoraBox
para Audiverimus Produções 2009
do álbum Cromático Blues
Audiverimus é Dhenova & Sacharuk
incluindo o poema "Dança", de Dhenova
Somente áudio nesse link

Dança


Prazer
Dor
Ter
Querer
Saber
Ter
Prazer
Dor
Ser
Saber
Querer
Prazer
Dor
Ser
Ter
Prazer


Tua
Crua
Muda
Nua
Crua
Nua
Tua
Cria
Crua
Muda
Tua
Cria
Muda
Crua
Nua
Tua


Morte
Vida
Maria
Antonio
José
Cleuza
João
Odete
Odete
João
Cleuza
José
Antonio
Maria
Vida
Morte


Prazer
Ter
Ser
Dor
Prazer
Querer
Ser
Saber
Dor
Prazer
Ter
Saber
Querer
Ter
Dor
Prazer


Tua
Nua
Crua
Muda
Cria
Tua
Muda
Crua
Cria
Tua
Nua
Crua
Nua
Muda
Crua
Tua


Morte
Vida
Maria
Antonio
José
Cleuza
João
Odete
Odete
João
Cleuza
José
Antonio
Maria
Vida
Morte

Dhenova

terça-feira, 21 de julho de 2009

Apenas um caderno velho


Poema e voz de DHENOVA e
Música e banda de SACHARUK
Poema incidental "Marcas de ayer" de Adriana Mezzadri
Somente áudio nesse link
Para o álbum Cromático Blues
vídeo de PandoraBox

APENAS UM CADERNO VELHO

Quatro horas da manhã.
A última letra se foi
e, com ela, tudo.
Tudo se foi.

Esperava o vazio,
aquele vazio tão conhecido.
Não... nada de vazio. Nada.

"Sinto que te conheço faz tempo
de outro milênio, de outro céu
Diga-me se te lembras
Só no tocar tuas mãos
Posso revelar-te minh'alma
Diga-me se reconheces minha voz
Sinto que podes ler minha mente
Quando me beijas,
diga-me se trago marcas de outrora
Só no tocar tuas mãos
Posso revelar-te minh'alma
Diga-me se reconheces minha voz"

O calor no rosto...
a escolha certa...
a certa escolha.
“Eu não vivo de mentiras”. Gritei!
“Eu amo Antônio... amo!”
E ele riu...
Antônio não.
Eu também não.

Preciso dormir...
Hoje é outro dia!
Já é outro dia!...
Pronto! Dez sacolas de lixo!
Em qual delas será que está?
Também não é importante...
apenas um caderno velho!
Um caderno que não diz
nada de importante...
é só um caderno.

Tudo terminou no cheiro forte de cigarro
que se entranhara por todo
o nosso ninho de amor.

O calor no rosto...
a escolha certa...
a certa escolha.

domingo, 19 de julho de 2009

Quando o olhar diz...


Quando o olhar diz...
me pega, me acerta, me beija
me joga no abismo
e a bruxa malvada
se perde na mata
e ainda assim ri
e é no voo do vento
o símbolo mundano
que me persegue e seduz

... e tudo volta a ser insano.

Quando o olhar diz...
me cala, me abraça, me aperta
me fala baixinho
ainda sou teu amigo
ainda quero o paraíso
o céu de ametista no horizonte azul

Quando o olhar diz... te amo
não há palavras que traduzem
o canto do aprendiz
e é na busca do ato
minha fraqueza
e teu embaraço!

Dhenova - Audiverimus

Inspiração


É na fúria do mar
que busco inspiração, na canção

é no grito do vento
o encontro com o tempo, os elementos

é na força da chuva
a essência mais pura, a loucura

é no campo mais verde
o olhar de romance, instante presente

é no lago mais límpido
o sabor da figura, digna leitura

é na terra gelada
o vício de amor, paixão desenfreada

é no ar morno
o sono profundo, moribundo

é na areia da praia, tocaia...
que acordo!

Dhenova - 06/04/2009

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